12 de jul de 2016

Como uma vaca


Respire suave e profundamente
A cada inspiração vá mais fundo em seu espaço interior...
E observe um lugar sem formas, sem fronteiras, sem limites – um espaço sem som, puro silêncio.
Lenta, Lentamente procure penetrar esse estado de ausência da mente.

Deixando sua mente de lado, você penetra um vazio profundo e entra em sintonia com todo o universo... Você deixa de lutar, deixa de criar resistências e apenas flutua com ele... Neste vazio da ausência da mente, você começa a desenvolver a compaixão, o amor, a humildade... e o ego se dissolve.
Saiba que esse é um caminho solitário – você não encontrará ninguém além de você mesmo. Em sua solitude você é belo, puro. Mas isso não significa que você precisa renunciar ao mundo - você precisa pertencer ao mundo, mas seja simplesmente um espelho, uma testemunha, observando tudo que esteja acontecendo sem se identificar, sem se envolver emocionalmente.
Esse momento é uma boa hora para cultivar a espiritualidade. E a maneira de cultivar a espiritualidade é a meditação – toda meditação traz seu pequeno rio da vida para o grande oceano da existência...

O mestre zen diz:
A não mente é o caminho... A mente se torna a não mente se ela estiver vazia.

Ouça cuidadosamente essas afirmações muito importantes:
A não mente não é alguma outra entidade. Ela é a mesma entidade que a mente; a diferença é se a mente está cheia ou vazia de pensamentos. Se vazia, é a não mente; se cheia, é a mente.
Isso significa que para se tornar um Buda, um ser consciente, você terá que esvaziar a sua mente de todos os seus conteúdos.
Essa é uma afirmação muito bela, a de que o Buda e o caminho são praticamente iguais. À medida que você percorre o caminho, você se torna, a cada dia, centímetro por centímetro um buda – um ser consciente É como uma escultura: se você estiver fazendo uma estátua, você não pode fazê-la completamente em um só golpe. Para cortar o mármore na forma desejada você terá que tirar, pedaço por pedaço, tudo o que não for necessário.
E isso é exatamente o que você está fazendo com você mesmo. Nas meditações, a cada dia, você está abandonando algo e ganhando outro algo mais profundo em seu ser. Você está abandonando algum pedaço do mármore e deixando clara pelo menos um pedaço do buda – do ser consciente.
Lentamente, todo o Buda (o ser consciente em seu interior) surge em sua totalidade – em sua essência –, e nesse momento você desaparece. Nesse momento apenas Buda (O ser consciente) permanece em você, você é o buda.
O caminho, o viajante e o destino são apenas diferentes estágios do mesmo fenômeno.

Todas as noites, em todas as nossas aulas, estou determinado a torna-lo um ser consciente – um Buda -, você querendo ou não.

Que sujeito travesso esse Buda! Vinte e cinco séculos depois de Gautama Buda, as pessoas ainda estão quebrando a cabeça para tornarem-se conscientes. E pelo tempo que o ser humano existir sobre a terra, este permanecerá um assunto enigmático, porque ninguém mais, em todo o céu da consciência, parece ter deixado a humanidade tão perplexa quanto fez Gautama Buda. Ele insistia na originalidade, no ser autêntico, ele desejava a sua total liberdade. Nenhum homem amou tanto a humanidade. Nenhum homem deu mais dignidade ao ser humano do que Gautama Buda. Ele não deseja que você se torne um seguidor; ele deseja que você se torne um Buda.

Todos os grandes professores religiosos, desejam que vocês sejam seguidores, desejam que pratiquem uma certa disciplina, desejam controlar seus assuntos, sua moralidade, seu estilo de vida. Eles fazem um molde de vocês e lhes dão uma bela cela de prisão.

Buda é totalmente a favor da liberdade, e nisto ele está só. Sem a liberdade o ser humano não pode conhecer seu mistério supremo; acorrentado ele não pode mover suas asas pelo céu e não pode penetrar no além. Todas as religiões estão acorrentando as pessoas, mantendo-as de alguma forma presas, sem permitir que expressem seus seres originais, mas dando-lhes personalidade e máscaras – e a isso elas chamam de educação religiosa.

Buda não lhe dá nenhuma educação religiosa. Ele deseja que você seja simplesmente você mesmo, não importa o que você seja. Esta é a sua religião – ser você mesmo. Nenhum homem amou tanto a humanidade. Ele não aceitava seguidores, pela simples razão de que aceitar seguidores significaria destruir sua dignidade. Ele aceitava apenas companheiros de viagem.


Sua última declaração antes de morrer foi: “Se algum dia eu voltar, virei como seu amigo” Maitreya significa amigo.

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