9 de dez de 2013

Você não terá cabeça


Simplesmente feche seus olhos e observe os pensamentos... Enquanto observa o que acontece? Os pensamentos estão aí dentro, mas você não está. O observador sempre está além. O observador sempre está no alto da montanha. Todas as coisas se movem ao redor, mas o observador está além.
Observar significa estar fora. E você pode chamar esse fenômeno de testemunho, de percepção, de consciência, ou seja lá do que quiser, mas o segredo é: observe!
Assim, sempre que sentir que sua cabeça está demais sente-se sob uma árvore e observe, não tente sair.
Quem sairá? Não há ninguém dentro.
Uma vez que você sabe que num momento de vigilância está além, transcendendo – você já está fora. A partir desse momento você já está sem cabeça. A cabeça pertence ao corpo, não a você.
A cabeça faz parte do corpo, tem uma função no corpo. A cabeça é preciosa, e se você conhecer seu jeito, seu segredo, pode usá-la. Quando Buda está falando está usando a cabeça.
Uma vez que você sabe que observando está fora, fica sem cabeça. Anda por esta terra sem nenhuma cabeça. E que beleza de fenômeno! Um homem andando sem cabeça. É este o significado quando digo: torne-se uma nuvem branca – sem objetivos, sem expectativas, sem desejos...
Você não pode imaginar quanto silêncio pode descer ao seu encontro quando a cabeça não está presente. Sua cabeça física estará presente, mas o envolvimento, a obsessão não estará.
A cabeça não é o problema! Ela é bela, uma criação maravilhosa, o maior computador já inventado. Mas onde você tirou a ideia de que está dentro dela¿
É possível que você não saiba, mas no Japão antigo, e mesmo hoje em dia entre os mais velhos, se você lhes perguntasse: De onde vem o pensamento? Eles apontavam para a barriga, porque, no Japão, pensava-se que a barriga era o centro do pensamento. Existiram outras tradições que achavam que o pensamento vinha de outras partes do corpo. Lao Tzu, por exemplo, diz que o pensamento vem dos pés. Assim existem técnicas na Yoga taoista para sair da sola dos pés – porque o pensamento ainda continua lá.
Então, qual a realidade? A realidade é: você está além, mas pode estar apegado a qualquer parte do corpo – a cabeça é uma obsessão Ocidental.
Por isso, não há necessidade de sair, porque você nunca esteve dentro. Você está fora – é apenas aquele que observa.
Então, apenas observe... E quando observar lembre-se de que não deve julgar. Se julgar, a observação estará perdida. Enquanto observar, não avalie, não condene, pois você perderá o ponto.
Enquanto observar apenas observe... Seja um rio fluindo, deixe a corrente da consciência fluir; permita que os pensamentos flutuem como bolhas e fique sentado na margem observando. Não diga isso é bom ou mau, não diga que isso não deveria ter acontecido ou deveria ter acontecido. Não diga nada, simplesmente observe. Você não é um juiz – é apenas um observador. E veja o que acontecerá.
Observando o rio, de repente você está além... E a testemunha estará fora.
E uma vez que você sabe que está fora, pode permanecer fora. Pode mover-se nesta terra sem cabeça.
Este é o jeito de cortar a cabeça. Todo mundo está interessado em cortar a cabeça dos outros – isto não auxilia em nada. Você já fez isso demais. Corte a sua própria cabeça e estará em profunda meditação...

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