27 de ago de 2013

O jarro de água


Um mestre Zen reuniu todos os seus monges, pois desejava enviar um deles para abrir um novo mosteiro. Colocando um jarro cheio de água no chão, disse: Quem pode dizer o que é isto sem mencionar o nome?
O chefe dos monges, que esperava ser escolhido, disse: Ninguém pode chama-lo de sapato de madeira. Outro monge disse: Não é um lago, pois pode ser carregado. O monge cozinheiro, que estava por ali, andou até o jarro, chutou-o e foi embora.
O mestre Zen sorriu e disse: O monge cozinheiro vai ser o mestre no novo mosteiro.

Tente perceber... A realidade não pode ser conhecida através do pensamento. Pode ser conhecida através da ação. O pensamento é um fenômeno igual ao sonho, mas no momento em que você age, você se torna parte da realidade.
A mente é sempre ambiciosa. O ego planeja, mas qualquer coisa que planejar fugirá da realidade. A realidade só pode ser encontrada espontaneamente.
Existem muitas histórias sobre os tempos antigos, mas este tem sido quase sempre, um dos testes básicos que os mestres Zen fazem aos seus discípulos – pedem para exprimir algo sem usar a linguagem.
E a mente se sente confusa, pois conhece apenas a linguagem, e nada mais. Se a linguagem é barrada, a mente é barrada. O que é a mente senão acumulação verbal – nome, palavras, linguagem¿
Quando um mestre Zen diz: Não use o nome, ele está dizendo: Não use a mente. Faça alguma coisa, de modo a exprimir o que é aquele determinado objeto, porque, a palavra Deus não é Deus, a palavra homem não é homem, a palavra rosa não é rosa. A rosa existe quando não há linguagem - ela não depende da linguagem.
Se você decide antes o que vai fazer e age a partir dessa decisão, você perde a realidade. A realidade é um fluxo constante; ninguém sabe o que vai acontecer - é imprevisível. Se sua resposta é preparada de antemão, você já está morto. Então virá o amanhã, mas você não existe mais. Estará preso no ontem, no que passou.
Todas as mentes muito verbais são fixas. Vá a um Pandita (Professor), a uma pessoa que diz ser sábia, e pergunte: O que é Deus?
Antes mesmo de você perguntar, ele começará a responder. Sua pergunta não é respondida, pois antes de você fazê-la o homem lhe dá a resposta.
E essa é a diferença entre um homem de sabedoria e um homem de conhecimento. O homem de conhecimento tem respostas prontas – você pergunta, e a resposta já está lá. Você é irrelevante; sua pergunta é irrelevante. Antes da pergunta já existe a resposta. Sua pergunta simplesmente aciona a memória - de algum livro, de alguma escritura, não é a sua experiência.
Se você vai a um homem de sabedoria, ele não tem respostas para você. Não tem nada pronto. Ele está aberto; é silencioso. Ele responderá, mas primeiro sua pergunta ressoará em seu ser, não em sua memória. A resposta vem através do seu ser. Ninguém pode predizer essa resposta. Se você for no dia seguinte e fizer a mesma pergunta, a resposta não será a mesma.
Perceba... A mente está sempre orientada para o resultado. O que vai acontecer? Se eu fizer isso, então, o que acontecerá? A mente está sempre querendo um resultado; é orientada para isso. Antes de agir a mente quer o resultado.
Algumas pessoas vêm até mim e perguntam: Se meditarmos, o que acontecerá? Qual será o resultado? Lembre-se: A meditação nunca pode ser orientada para o resultado. Você simplesmente medita, e isso é tudo. Tudo acontece, mas não será um resultado. Se você estiver buscando o resultado, nada acontecerá – a meditação será inútil. Quando você busca um resultado, é mente; quando não busca um resultado, é meditação.

Então, chute o jarro e saia; medite e vá embora. Não pergunte pelo resultado. Se pensar no que acontecerá, não poderá meditar.

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