12 de fev de 2012

Além de qualquer experiência I

Olhe pra dentro... E perceba toda a sua superficialidade.
O propósito de nossas terapias é levá-lo ao ponto em que você possa perceber toda sua artificialidade. É simplesmente deixá-lo consciente dos padrões artificiais que você desenvolveu em seu ser; perceber a artificialidade de sua vida, isso é tudo.
Ao perceber isso, a artificialidade começa a dissipar. E ao perceber algo artificial você também sentiu o que é natural.
O nosso propósito, então, é simplesmente torná-lo consciente do ponto em que você está, do que você fez a você mesmo – que mal você fez continuamente, e ainda está fazendo, que feridas você está criando em seu ser.
E também perceber que em cada uma das feridas está a sua assinatura – perceber que cada ferida é assinada unicamente por você - que ninguém mais fez isso, que todas as correntes que você tem à sua volta – todos os sofrimentos, toda ansiedade, toda tristeza e todas as mágoas - são criadas por você, que a prisão na qual você vive é o seu próprio trabalho; ninguém está fazendo isso para você.
Ao perceber isso, que “Estou criando minha própria prisão”, por quanto tempo você pode continuar a criá-la? Se você quer viver na prisão é um outro caso – mas ninguém, jamais, deseja viver na prisão.
As pessoas vivem nessas prisões por que pensam: “Os outros estão criando as prisões - os outros estão criando o meu sofrimento - o que podemos fazer?” Elas sempre ficam atirando a responsabilidade sobre outra pessoa.
Marx, por exemplo, diz que a culpa é da sociedade, da estrutura econômica – a exploração, os exploradores, os imperialistas, os capitalistas – eles estão fazendo o mal, são a razão. O que acontece? Novamente você se livra da responsabilidade. O que você pode fazer? A escravidão é imposta sobre você.
Já Freud diz que é em virtude da educação. Você foi educado de maneira errada em sua infância – o que você pode fazer? Freud é um dos maiores pessimistas que jamais existiram. Ele diz que não há esperança para o ser humano, pois o padrão é estabelecido na infância – e para sempre. Então você fica repetindo o padrão, e novamente a responsabilidade é jogada fora. Assim, sua mãe é a responsável.
Perceba, está muito claro... Através dos tempos, as pessoas criaram novas estratégias, contudo o propósito permanece o mesmo: jogar a responsabilidade sobre alguém.
Nossas práticas servem para torná-lo consciente que nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais são responsáveis. Se houver alguém responsável, é você mesmo. Nossas práticas são um martelar neste simples fato: Você é o único responsável. E esse martelar tem uma grande importância, pois, quando você entende que “Isso sou eu, eu próprio estou fazendo mal a mim mesmo”, então as portas se abrem e algo é possível.
A revolução só é possível através da responsabilidade individual. Porque, então, você pode se transmutar pode abandonar esses velhos padrões. Eles não são o seu destino, mas, se você os aceitar como o seu destino, eles se tornam o seu destino.
E não estou dizendo que seus pais, os sacerdotes e a sociedade não fizeram algo a você – eles fizeram e fizeram muito mal! Entretanto, ainda assim, a chave suprema está em suas mãos. Você pode abandonar isso, pode abandonar todo o condicionamento.
Responsabilidade é a palavra mais importante em nossas práticas. Ninguém deseja assumir a responsabilidade, pois ela machuca. Só de perceber que “Sou a causa de minha infelicidade” machuca muito, pois vai contra o ego, contra o orgulho.
Então perceba... Quem criou a sociedade? Você a criou! Ela não vem do nada.
O mendigo na rua não aparece de repente do nada. Nós o criamos. Se você quer ser rico, alguém tem que ser mendigo. E ao ver o mendigo você lamenta muito. A quem você está tentando enganar? E você ainda carrega a idéia de acumular mais e mais e ficar cada vez mais rico.
Este é um mundo competitivo.
Você não quer guerras, mas você é violento – em tudo – com seus pais, seus vizinhos, com a torcida adversária, dirigindo... E você condena as guerras. Que hipocrisia!
Esta sociedade é criada por você, e então você diz que a sociedade é responsável.
Ninguém é responsável, exceto você. Esta é uma das verdades mais difíceis de aceitar; porém, quando você a aceita, ela traz grande liberdade e cria grande espaço, pois, com isso, outra possibilidade imediatamente se abre: “Se sou responsável, então posso mudar. Se eu próprio estou fazendo isso, causando toda a minha infelicidade, então isso machuca, mas também traz uma nova possibilidade – posso parar de me ferir, posso parar de ser infeliz”.
Nossa prática não é para torná-lo ciente de sua falta de naturalidade, mas para torná-lo ciente de toda a sua falsidade, de toda hipocrisia existente em seu ser, criando um espaço para o seu despertar e a oportunidade de sua total transformação.

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