2 de out de 2016

Entregue-se ao que é I


Observe sua mente... Quantos desejos...

Osho diz:
Destrua totalmente a ambição, porque a menos que a ambição seja destruída, você permanecerá na miséria. A ambição é a fonte de todas as misérias. E o que é ambição? Ambição significa que você nunca está satisfeito com aquilo que você é, seja lá o que for. Isso é ambição. Então você permanecerá miserável, porque você não pode ser outra coisa. Você só pode ser você mesmo. Tudo o mais é fútil, prejudicial, perigoso. Você pode desperdiçar a sua vida inteira, toda a sua existência.
Aquilo que você é, seja o que for, é você. Aceite-o, não deseje ser diferente. A ausência da ambição é fundamental na transformação espiritual, pois quando você se aceita, muitas coisas começam a acontecer. Mas a primeira coisa... Se você se aceitar totalmente, a primeira coisa que lhe acontecerá será uma vida não tensa. Não haverá tensão. Você não deseja ser algo mais; não há nenhum lugar para ir. Então você pode estar aqui e agora. Não há comparação. Você é único. Não pensa mais em termos de outros.
Então, nesse estado, não há mais futuro. A ambição precisa de futuro, precisa de espaço para crescer. Ela não pode crescer aqui e agora; O momento presente é tão atômico, tão pequeno, que você não pode se mover nele. A ambição precisa do futuro.
Lembre-se: você não pode ser ambicioso no momento presente. É impossível. Não há espaço. Você pode estar nele, mas não pode desejar. O momento presente é suficientemente amplo para o Ser, mas não o é para o desejo. Para desejar você precisa do futuro, do tempo. E na verdade o tempo existe por causa do desejo. Para as árvores, não há tempo. Para os pássaros que cantam, não há tempo. Para as estrelas, para o sol, para a Terra, não há tempo. O tempo existe por causa do desejo humano. Se a humanidade não existisse nessa Terra, não haveria tempo, não haveria passado, nem futuro – você já pensou nisso?
Seu desejo cria o futuro. Sua memória cria o passado. Ambos são parte de sua mente. Não deseje, e o futuro desaparecerá. E quando não há futuro, como você pode ficar tenso? Como? Não há possibilidade de se ficar tenso se não há futuro. E se não há passado – se você sabe que o passado é apenas a memória, a poeira acumulada durante o caminho – como poderá haver qualquer ansiedade? Com o passado vem a ansiedade. Com o futuro – planos, imaginações, projeções – surge a tensão. Quando o passado desaparece e o futuro não está aberto, você está aqui, agora. Nenhuma ansiedade, nenhuma tensão, nenhuma angústia.

A não ambição significa aceitar-se tal como você é. Mas isso não quer dizer que não haja possibilidade de crescimento. Ao contrário. Quando você se aceita tal como é, a transformação se inicia. Você começa a crescer, mas em outra dimensão. Então a dimensão não está no futuro, mas no eterno.
Conheça bem esta distinção. Você pode se mover de dois modos. Se você se move no futuro, está se movendo na mente: num mundo de ficção, de sonho. Se você não se move no futuro, então uma dimensão diferente se abre para você a partir desse exato momento. Você está se movendo no eterno. O eterno oculta-se no momento. Se você puder estar aqui, agora mesmo, no momento presente, você penetrou o eterno. Mas se continua pensando no futuro e no passado, está vivendo no temporal. O temporal é o mundo, o eterno... O nirvana.

Conta-se que Buda repetia frequentemente que, se você puder permanecer no agora, não há necessidade de qualquer técnica de meditação. Isso é suficiente. Não é necessário mais nada. Mas como você poderá permanecer no agora se for ambicioso?
A mente ambiciosa não pode estar no agora. Pode estar em qualquer outra parte, mas não pode estar no agora. A mente ambiciosa sempre se move para longe do presente. Ela pensa no que está por vir, pensa no amanhã. Pensa numa vida após a morte; não se interessa pela vida que está aqui. Interessa-se por algo que poderia ser. Não se interessa pelo que é; está sempre interessada pelo que deveria ser, pelo que poderia ser. Esse interesse é não religioso. Uma mente religiosa, uma consciência religiosa, interessa-se pela existência tal como ela é.


Então, este primeiro sutra diz: destrua totalmente sua ambição para que você possa penetrar no eterno – aqui e agora!

Texto publicado em março de 2011 e modificado em outubro de 2016

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