7 de mai de 2016

Círculos ilusórios



O Zen diz:

A vida vivida inconscientemente não pode ter nenhum sentido. Na verdade, a vida não tem nenhum significado em si mesma. O significado surge quando a consciência surge em você - então, a vida reflete a sua consciência, então a vida se torna um espelho, então, a vida ecoa a sua canção, a sua celebração, a sua música interior. Ouvindo aqueles ecos, você começa a sentir a significância, o significado, o valor da vida.
Vivendo uma vida inconsciente, você pode ir mudando de um trabalho para outro – isso não vai ajudar. Talvez, por alguns dias, enquanto o trabalho for novo e houver excitação, você possa sentir-se bem. Você pode novamente projetar suas ilusões, você pode novamente começar a ter expectativas: “Desta vez vai acontecer. Talvez não tenha acontecido até agora, mas desta vez vai acontecer”. Novamente você será frustrado. Toda expectativa está fadada a trazer frustração.
Um homem de consciência vive sem expectativas, desse modo, ele não sente nenhuma frustração, jamais. Mais cedo ou mais tarde, quando a lua-de-mel acabar, você se sentirá frustrado. E por quanto tempo a lua-de-mel pode durar? E cada vez, a frustração vai ser maior, porque seus fracassos estão se amontoando – eles estão se tornando uma montanha. E você falhou tantas vezes, que, lá no fundo, em algum lugar, o medo oculto está sempre presente – mesmo quando você está em lua-de-mel, lá no fundo, o medo está sempre presente, de que aquilo não vai ser diferente. Mas você tem de ter esperanças para viver, caso contrário...
Bem... As pessoas vão mudando seus empregos, vão mudando seus passatempos, vão mudando suas esposas, seus maridos, vão mudando suas religiões. Elas vão mudando tudo que pode mudar – com a esperança de que, “desta vez”, algo vá acontecer. Mas a menos que você mude, nada vai acontecer.
Perceba... Não é uma questão de mudar algo do lado de fora... Você permanece o mesmo!
Ouvi contar sobre um homem que se casou cinco vezes, e ele ficava espantado: a cada vez, depois de quatro, cinco seis meses, ele descobria – é claro, o corpo era diferente... -, mas ele descobria que a mulher que ele havia encontrado era exatamente a mesma de antes: o mesmo tipo de mulher. Ele não podia acreditar no que estava acontecendo. Ele mudava de novo, ele procurava por uma outra mulher com um nariz diferente, com uma cor diferente, com um tipo de cabelo diferente, mas, finalmente, ele descobria que somente as camadas externas eram diferentes, mas a estrutura interna da psique da mulher era a mesma.
A razão é clara – não estava clara pra ele, mas a razão é clara. Aquele que escolhe é o mesmo, seus gostos são os mesmos. Ele iria sempre gostar de um certo tipo de mulher, e seu gosto era inconsciente – ele não estava nem mesmo ciente porque gostava daquela mulher.
Quando você se apaixona por uma mulher ou um homem, você sabe por quê? Como? Você não tem consciência, você não tem consciência do seu próprio funcionamento.
A menos que você se torne consciente do por que de você fazer certa coisa, do por que de você escolher certa pessoa, certo trabalho, certo emprego, certa mulher, certo homem, você está fadado a permanecer frustrado. E de novo, e novamente, você perderá o significado da vida.
A vida é apenas uma tela vazia: você tem de pintar o significado nela. Seja o que for que você pinte será o significado da sua vida.
Então, ao invés de mudar as coisas – em qualquer direção ou dimensão externa – mude a sua consciência. A mudança tem de ser interna. Somente a mudança interna pode mudar alguma coisa, caso contrário, todas as mudanças serão falsas.
Torne-se consciente. Eu estou lhe dizendo todos os dias que você está vivendo em ilusões. Então acorde! Desperte, venha pra realidade. E o momento presente é a única realidade. Viajar constantemente entre o passado e o futuro é fugir da vida.
Observe a sua respiração e sinta a vida chegando até você a cada momento - com a mente calma e tranquila.


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