23 de mai de 2016

Penetrando o desconhecido


Relaxe seus olhos, solte seu corpo e observe sua respiração...
E sem medo penetre o desconhecido, penetre o seu espaço interior...

E Osho diz:
É natural ter medo quando você está entrando em algo desconhecido. Toda aventura traz seu próprio medo. Se a pessoa quer viver sem medo, ela pode viver somente em um túmulo. E é assim que muitos vivem: eles apenas aparentam estar vivos. Eles estão respirando, estão fazendo seus trabalhos, mas isso não é vida.
A vida pode significar apenas uma coisa, e essa coisa é a constante aventura – sempre se movendo do conhecido para o desconhecido – e finalmente, no fim de tudo, um salto quântico do desconhecido para o que não podemos compreender totalmente.
A pessoa que vive sem aventura na vida, sem medo, vive também sem felicidade. Ela vive uma vida de conveniência, confortável, aconchegante, mas estúpida, sem significado, sem nenhuma alegria, nenhuma canção, nenhuma dança. Nunca acontece nada no seu ser, ela simplesmente vegeta. Do nascimento à morte, ela simplesmente vai morrendo a cada dia, a cada momento, lentamente. É uma espécie de suicídio lento.

A mente tem muito medo do desconhecido, porque a mente se sente capaz quando você está funcionando dentro das fronteiras do conhecido. Mente significa conhecimento. Você está familiarizado com aquilo, conhece todos os prós e contras, ou seja, você já passou pela mesma rota tantas vezes, que agora você pode passar de olhos fechados, sem nenhum medo de tombar nas coisas, cair... Você pode funcionar como um robô. A mente consiste somente no conhecido. No momento em que você começa a convidar o desconhecido para dentro dela, a mente dá um clique. A mente diz: “Não, isso é perigoso. Eu não quero”.
Não ouça a mente, porque mente significa passado – ele está morto, já acabou: é não existencial. O passado são as pegadas do que já não existe. A mente não sabe nada do presente. Ela não tem nenhuma capacidade de se comunicar com o presente, porque o presente é sempre desconhecido. E o medo da mente é porque no momento em que você encontra o presente, você tem de ser espontâneo, e a mente se torna inútil. A mente tem de ser posta de lado.
Esse é o momento em que a meditação começa a acontecer. Permanecer confinado no conhecido é estar na mente. Permitir a entrada do desconhecido no seu ser é o começo da meditação, o começo do Zen. O presente somente pode ser abordado através do estado de não-mente. Se você tem quaisquer conclusões, você ainda está carregando o passado – as conclusões vêm do passado, os preconceitos vêm do passado... Você tem de por de lado tudo que você já sabe. Você tem de olhar para o presente num estado de não conhecimento. A mente vai tremer – deixe-a tremer. Deixe-a morrer de tremedeira. Não lhe dê ouvidos.

Quando você penetra o desconhecido, quando você vai na direção interior, você vai sozinho, absolutamente sozinho – ninguém pode acompanha-lo. Você perde o contato com o mundo exterior: quanto mais fundo você vai interiormente, mais o mundo exterior começa a desaparecer. No verdadeiro centro do seu ser, o mundo exterior desaparece como um sonho.

Nesse momento, observe sua respiração, e lentamente caminhe em direção ao centro do seu ser... No momento em que você chega ao verdadeiro centro do seu ser, todo mundo desaparece: as pessoas, as montanhas, as estrelas... E chega um momento em que não existem mais. Existe a infinita vastidão, o nada.
E quando o mundo desaparece, lembre-se, você, como um ego, desaparece também, porque você somente pode existir num relacionamento com os outros.

E os seguidores, os buscadores, estão sempre procurando por garantias, consciente ou inconscientemente – eles ficam esperando por certas indicações de que a verdade seja assegurada.
“Então, poderemos ir a qualquer aventura, poderemos entrar”, mas se houver garantia aí já não será mais aventura.

E quando a mente desaparecer... Você também desaparecerá como ego.

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