22 de mar de 2016

As cinco portas da sua casa


Procure soltar e relaxar o seu corpo... Encontre assim, uma posição bem confortável, onde nada, nem corpo nem mente possam trazer alguma inquietação ao seu Ser...
Observe a respiração... Absoluto silêncio...

O Zen não é o que ele diz, mas o que ele mostra. É um dedo apontado para a lua, em absoluto silêncio. Todas as palavras têm de ser compreendidas como dedos apontados para a lua. O Zen é uma indicação.
Então volte a observar a respiração...
Onde você está nesse momento?

E o mestre Zen pergunta:
Aonde você vai? Quando o mestre Zen pergunta “aonde você vai”?, ele quer dizer: “Não há jeito de ir a lugar nenhum, você está em todo lugar. Aonde você pode ir? Sua consciência é tão extensa quanto o universo. Aonde você vai”?

Numa simples pergunta, há uma tremenda implicação.
Você não é o corpo que pensa que é, você não é a mente que pensa que é, você não é o desejo que pensa que é, você é a testemunha que ocupa o universo inteiro.
Isso significa que você não pode ir a lugar nenhum. Aonde quer que você vá, você está nadando no Si mesmo. Todo esse oceano de existência é seu. Não tem fronteiras, não tem limites.
A natureza é sempre uma doadora em abundância. Com um único sentido você é capaz de experienciar o seu ser. Mas em vez de um, a existência lhe deu cinco sentidos, e ainda assim você não encontrou a Si mesmo. Cinco portas... E você ainda não entrou em sua própria casa.

Você pode alcançar o Zen - você pode despertar -, cheirando uma rosa. Se a pessoa puder se tornar um com a rosa, com a sua fragrância, se ela puder esquecer-se de si mesma por um momento, e apenas a rosa permanecer, só por um momento, o observador e observado são um... Então, você encontrou a verdade, a beleza, encontrou o que os poetas cantam, encontrou o que os músicos tentam produzir com os seus instrumentos.

Se você puder apenas ouvir esse momento... Se você puder ouvir o silêncio do seu próprio Ser intensamente, totalmente... Este momento pode se tornar sua iluminação.
Não é uma questão para ser discutida. É simplesmente uma investigação dentro do seu próprio espaço interior. É parar a mente a partir dos seus pensamentos ondulantes e vir para uma quietude dentro de si, onde nada se move.
É tão simples...
Se você puder ficar aqui sem pensar, sem mente... Este é o lugar, o espaço, você não tem de ir a nenhum outro lugar para encontrá-lo.
Você é o único sabor, apenas seja sem nenhuma ondulação. E se neste lindo clima você não pode encontra-lo, onde você vai encontra-lo? Aqui, neste lugar, onde tantos budas estão presentes, quer eles saibam ou não, simplesmente junte-se a eles ou não, simplesmente junte-se e olhe para dentro de si mesmo.
O Zen é uma experiência sem palavras, do seu Ser.
Esta é a coisa mais fácil e a mais difícil do mundo: confiar que você é um Buda – um ser desperto, iluminado. Mas quer você confie ou não... Você é um Buda, você não pode ser outra coisa. Você é pura consciência, você é pura existência.

E você não precisa de nenhuma educação, nenhum ensinamento, de nenhuma cultura. Você já está aí. Desde o exato começo do tempo, você é eternidade no momento.
Se você não se torna um iluminado, isto é simplesmente um adiamento. Não há nenhuma pressa, você pode ficar iluminado amanhã ou em outra vida. Mas lembre-se: a menos que você desperte; a menos que você se torne iluminado, você não poderá sair da sua miséria, das suas tensões, das suas angústias, da sua insignificância. A menos que você se torne um ser desperto, você não pode atingir o seu esplendor, que é a sua herança.
E quanto mais você espera, mais você aprende como esperar, sua espera se torna cada vez mais densa. Não há nenhuma necessidade de esperar. Nem mesmo por um único momento. Nesta linda existência...
E hoje, este momento, está especialmente mais belo. Tudo ao redor e uma reunião silenciosa de tantos Budas... Não o perca! Não perca esse momento.

Então, observe a sua respiração... Calma e tranquila, sem expectativas, sem pensamentos, sem passado, sem futuro...
Nenhuma palavra é necessária.

Esta é uma experiência sem palavras, do seu ser.

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