20 de jul de 2013

Uma mão acenando IV


Sutra:
Os livros Sagrados do Oriente nada mais são do que palavras.
Examinei suas capas certo dia, de modo informal.

Se você examinar as capas de modo informal, não achará nada de mais nos chamados livros sagrados, mas você terá que olhar sem os olhos da crença, olhe sem qualquer preconceito. Olhe corajosamente, não tenha medo de olhar, e será pego de surpresa.
Na Bíblia, no Alcorão, nos Vedas, olhe diretamente. Muito raramente encontrará uma pedra preciosa. A pessoa se pergunta por que tudo isso foi colecionado nas chamadas escrituras sagradas do mundo.
Mas se olhar com um olhar preconceituoso, com a convicção de que tudo que está ali é verdade e nada mais que verdade, então você não poderá entender Kabir.
Kabir está dizendo: Livre-se das escrituras, porque ficando livre das escrituras, você ficará livre da mente. Ficando livre das escrituras você ficará livre dos pensamentos. Atingirá uma espécie de inocência; e a partir desse ponto, o conhecimento tem início.
Primeiro torne-se ignorante. Lembre-se, um homem instruído não é necessário, um homem de saber é necessário.
E há uma tremenda diferença entre os dois. O homem instruído acredita que ele chegou, que ele sabe; e o homem sábio sabe que ele não conhece, portanto, continua aprendendo.
E há maravilhas após maravilhas para serem conhecidas. A realidade é inesgotável. Quanto mais você conhece, mais compreende que muito foi deixado para ainda ser conhecido. No último estágio do saber, todo o conhecimento desaparece, e o mistério o cerca.

Os Livros Sagrados do Oriente nada mais são do que palavras

E lembre-se: a palavra pode criar grandes ilusões. Alguém grita fogo! fogo! E você começa a correr. A própria palavra dispara algo em você – medo. A palavra fogo não é fogo, a palavra deus não é deus, a palavra amor não é amor.
E o que há nas escrituras sagradas? - palavras e palavras. Elas não podem nutri-lo. Você precisará do próprio Deus, não da palavra “deus”. Só então, e apenas então, haverá satisfação.

Kabir fala apenas sobre o que ele viveu.
Se você não viveu algo, o que diz não é verdade.

Continue a observar sua mente, como ela é pretensiosa. Ela diz muitas coisas que não experienciou. Isso é desonestidade. Se você não souber alguma coisa, diga claramente a si mesmo e aos outros: “Eu não sei”. Essa honestidade o ajudará. Se você conheceu algo, só então diga que sabe – porque 99% do conhecimento que carrega não é sua experiência, ele é emprestado. E tudo aquilo que é emprestado é falso – não faz nenhuma diferença de quem você o pegou. Você pode ter pegado isso de um homem que você conheceu, de kabir, de Jesus, de Krsna, isso não faz muita diferença. De quem você empresta não faz diferença; do momento em que pega emprestado, ele é falso. A verdade não pode ser emprestada.
Perceba... Eu vejo algo. Mas, quando eu lhe disser o que vejo, não é minha visão que o alcançará, mas apenas minhas palavras. A visão é deixada comigo; só as palavras saem de mim. Essas palavras são vazias. E você colecionará essas palavras, e pensará que vieram de um homem que conhece, portanto, elas devem ser verdades. Elas não são. A verdade existe apenas quando houver experiência.
Assim, quando Kabir se expressa, ele não está falando apenas conta as escrituras antigas, ele também fala contra as suas próprias palavras. E a tentação é grande. Quando você encontra um homem que conhece, suas palavras têm tal autenticidade, tal paixão, que é contagiosa. Tome cuidado com a tentação.
Quando digo algo a você, eu o faço de modo tão abrangente que você pode começar a acreditar no que digo. Mas isso será uma crença, e você estará apreciando simplesmente palavras.
E você pode perguntar por que eu falo disso, por que Kabir fala? Se as palavras não podem descrever a verdade, então por que falar? Ainda há uma razão para falar. As palavras não podem lhe dar a verdade, mas podem criar uma sede em você. Eu não posso transferir minha verdade a você, mas posso fazê-lo sentir que a verdade existe.
Agora a jornada começa – as palavras podem coloca-lo no caminho, elas não podem lhe dar a verdade. Mas as palavras de um homem que conhece a verdade, elas criam em você um grande desejo de saber, de ver, de ser...

Mas essas palavras não são o bastante. Não se contente com elas. Deixe-as contagiá-las em sua sede, em sua fome pela verdade. Mas palavras são palavras, as palavras de Buda são palavras, todas as escrituras são palavras. A pessoa sábia pegará apenas a indicação de que a verdade existe: “Agora eu tenho que buscar”. E não esqueça que a busca deve ser individual.

Um comentário:

  1. excelente texto... refletir sobre a palavra do outro!!

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