7 de jul de 2013

Uma mão acenando I


Hoje começaremos a estudar uma série de sutras de Kabir. Kabir é um precursor, um mensageiro, a primeira flor que anuncia a primavera. Ele não pertence a nenhuma religião. Ele tem uma grande beleza, uma grande poesia, uma grande orquestra.
Kabir é raro, ele é um homem pobre, simples, inculto, incivilizado. Talvez essa seja a razão pela qual o que diz ser tão potente. Sua sabedoria não é aquela das universidades, ele nunca foi a qualquer escola. Sua sabedoria vem das massas, ela sai de sua própria experiência.
Perceber que o mundo é sem sentido é muito difícil quando você é pobre. Você não experienciou o mundo – e um grande insight é necessário para ver a futilidade naquilo que não se possui - sua percepção é muito clara. Ele traz o primeiro vislumbre de uma religião futura.
A religião futura não será de ritual. Não haverá muita adoração, mas sim muita celebração. E, na realidade, celebrar é a única adoração real. Haverá muito canto e muita dança, mas que não serão oferecidos a qualquer deus em particular, apenas à própria existência – uma torrente do coração, uma comunhão do coração.
Kabir acredita na dimensão do alto. O que é o alto? O passado está embaixo, o velho está embaixo, o familiar está embaixo; o não familiar, o desconhecido, o misterioso, está no alto.
Por isso, ao ouvir os sutras de Kabir, lembre-se disto. Ele será muito, muito chocante, abalará sua mente. Apesar de sua compaixão, ele destruirá, criará um tipo de vazio em você, porque apenas nesse vazio Deus existe, Deus como religiosidade. Apenas nesse vazio há meditação, e só nesse vazio você começa a ver pela primeira vez.

Então, vamos ao primeiro sutra:
Não há nada além de água nos lagos santos, eu sei, tenho nadado neles.
Todos os deuses esculpidos de madeira e marfim não podem dizer uma palavra. Eu sei, tenho chamado por eles.
Kabir fala apenas sobre o que viveu. Se você não viveu algo, o que diz não é a verdade.

Perceba... A mente deseja permanecer com o conhecido porque o conhecido é familiar, o caminho já trilhado. A mente sempre teme entrar no desconhecido. O desconhecido, por um lado, desafia, atrai; por outro, dá medo. Ele é imprevisível, a pessoa não sabe qual será a consequência de antemão. E a mente é sempre tradicional. Assim, o problema sempre se coloca nesse ponto: a mente se agarra no passado e a vida quer entrar no futuro, e há uma luta suprema constante entre a mente e a vida. Os que escolhem a mente permanecem mortos. Aqueles que escolhem a vida contra a mente são o sal da terra.
A vida é uma aventura, uma aventura ininterrupta, uma aventura contínua no desconhecido. O novo é misterioso  – não pode ser explicado, porque todas as explicações vem do passado. Mas esta é sua beleza, seu mistério, sua maravilha, o temor do novo. É uma experiência imediata!
O futuro vai pertencer àqueles que podem ter a poesia que se origina no coração.
E a abordagem de Kabir lhe proporcionará muitos vislumbres do futuro. Pode chocá-lo muitas vezes, pode perturbá-lo muitas vezes – mas lembre-se, todo crescimento é doloroso. E com kabir você pode crescer imensamente.
Kabir não está interessado em lhe dar uma resposta, porque ele sabe perfeitamente bem que não há nenhuma resposta. Ele não é um homem sério; nenhum homem sábio pode ser sério. A seriedade faz parte da ignorância, a seriedade é uma sombra do ego.
E ele diz: “Pule para dentro da vida!” Torne-se parte dela, pulse com ela. E então você saberá – embora nunca seja capaz de transferir seu conhecimento, através de palavras, para nenhuma outra pessoa. A verdade não é transferível. Mas você se tornará verdade e será uma luz nesta noite escura da vida e se tornará um caminho nesta selva da vida. Muitos terão insights em sua presença; você será um agente catalisador, mas não será capaz de dar respostas já prontas.

O que quer que Kabir esteja dizendo, não foi escrito. Esta é uma manifestação espontânea do seu coração. Ele era um cantor, era um poeta – alguém perguntava alguma coisa e espontaneamente ele cantava uma canção. E ninguém jamais cantou tais canções.

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