11 de mar de 2013

A necessidade de vencer II



Hoje continuaremos estudando o sutra da última aula – A necessidade de vencer
De onde vem a necessidade de vencer? Todo mundo está em busca da vitória, buscando vencer, mas por que surgiu essa necessidade de vencer?
O problema é que você não está consciente de que já é vitorioso, que a vida já aconteceu a você. Você não reconheceu isso, você não conhece a beleza da vida que já lhe aconteceu. Você não conhece o silêncio, a paz, a felicidade, que já estão presentes.
E porque você não está consciente desse reino interior, você sempre sente que algo é necessário, alguma vitória, para provar que você não é um mendigo.
Mas qual a necessidade de vencer? Você tem que provar a si mesmo. Você se sente tão inferior por dentro, você se sente tão ocioso e vazio, por dentro você se sente como se fosse um ninguém, por isso essa necessidade de provar. Você tem que provar que é alguém, e, a menos que você tenha provado isso, como pode ficar em paz?
Há duas maneiras, e tente entender que estas são as duas únicas maneiras: Uma delas é sair por aí e provar que você é alguém. A outra é se voltar pra dentro e perceber que você é ninguém.
Se você sair por aí, nunca será capaz de provar que é alguém. A necessidade permanecerá, porque o mero ato de provar aos outros que você é alguém não faz de você alguém. No fundo, o sentimento de ser ninguém permanece. Ele continua açoitando o seu coração – o sentimento de que você é ninguém.
Você pode ter toda a riqueza do mundo, mas como você pode trazê-la para dentro para preencher o vazio? Não, mesmo com toda a riqueza do mundo você ainda vai se sentir vazio, mais até, porque agora o contraste vai estar diante de você. É por isso que Buda abandonou seu palácio: ver toda a riqueza e ainda sentir o vazio interior, perceber que tudo é inútil.
E a outra maneira é se voltar para dentro, não para se livrar deste sentimento de ser ninguém, mas para percebê-lo. Isso é o que Chuang Tzu está dizendo: torne-se um barco vazio, apenas se volte para dentro e perceba que você é ninguém. No momento que percebe que você é ninguém, você explode numa nova dimensão, porque, quando alguém percebe que é ninguém, também percebe que é tudo. “Ser ninguém” é infinito, assim como ser tudo.
Assim, a outra maneira é ir pra dentro de si; não para preencher esse vazio, mas para percebê-lo e tornar-se uno com ele.
Perceba, a necessidade de vencer é para provar que você é alguém, e a única maneira que conhecemos de provar isso é provar aos olhos dos outros, porque os olhos deles se tornam reflexos.
Quando você quer provar que você é alguém, você fere o ego de todos, e todos eles vão tentar provar que você não é nada. E a menos que você consiga destruí-los, eles vão continuar dizendo que você não é nada. O que você pensa que é? Quem você pensa que é? Você tem que provar isso, e essa é uma maneira muito dura, muito violenta, destrutiva.
Qual a necessidade de vencer? O que você quer provar? Aos seus próprios olhos você sabe que você é um nada, coisa nenhuma, e esse nada dói no seu coração. Você sofre porque você não é nada – então você tem que provar a si mesmo aos olhos dos outros.
Você tem que criar uma opinião na mente das outras pessoas de que você é alguém, de que não é um nada. E olhando nos olhos delas você vai reunir opiniões, a opinião pública, e por meio dela vai criar uma imagem. Essa imagem é o ego, não é o seu verdadeiro eu.
Esse tipo sempre vai ter medo dos outros, porque eles podem pegar de volta tudo que deram. Um político, por exemplo, está sempre com medo do público, porque eles podem pegar de volta tudo o que lhe deram. É só emprestado; seu eu é um eu emprestado. E se você tem medo dos outros você é um escravo, não é um mestre.
Esta é a diferença entre o eu e o ego – o ego é um eu emprestado, ele depende dos outros, da opinião pública. O eu é o seu ser autêntico, não é emprestado, ele é seu. Ninguém pode pegá-lo de volta.

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