20 de fev de 2013

O halo do Buda Yakushi



A meditação é uma flor, e a compaixão é sua fragrância.

Acontece exatamente assim. A flor desabrocha e a fragrância se espalha com os ventos em todas as direções, para ser levada até os confins da terra.
Enquanto o ser interior do homem não se abrir, a fragrância da compaixão não será possível. A compaixão não pode ser praticada. Não é uma disciplina. Está além de você.
Se você meditar, um dia, de repente, perceberá um novo fenômeno, absolutamente estranho – a partir de seu ser, a compaixão vai começar a fluir para o todo da existência, sem direção, sem endereço, movendo-se até os confins da existência.
Sem meditação, a energia permanece como paixão; com meditação, a mesma energia se torna compaixão.
Paixão e compaixão não são duas energias, são uma única e mesma energia. Quando passa pela meditação, ela é transformada, transfigurada; torna-se qualitativamente diferente. A paixão tem movimento descendente, a compaixão ascendente.
A paixão se move através do desejo, a compaixão da ausência de desejo; a paixão é uma ocupação para esquecer as amarguras que você vive, a compaixão é uma celebração, uma dança de realizações, de conquistas. Você está tão realizado que consegue partilhar – você alcançou, está realizado, nada mais há para realizar, nenhum lugar para ir, nada para fazer.
A mesma energia que se movia pelas camadas escuras da paixão agora ascende em raios de luz, não contaminada por nenhum desejo, por nenhum condicionamento.
Não está corrompida por motivações – por isso a chamo de fragrância. A flor é limitada, mas a fragrância não. A flor tem limitações, está enraizada em algum lugar, mas a fragrância não tem vínculos. Ela simplesmente se move, voa com os ventos, não tem ancoradouros na terra.
A meditação é uma flor. Tem raízes. Existe em você. Quando acontece a compaixão, ela não tem raízes, simplesmente se move e continua se movendo. 
O Buda desapareceu, mas sua compaixão não - a fragrância que foi liberada permanecerá para sempre. O Buda se foi, Jesus se foi, mas a fragrância deles permaneceu. A compaixão deles continua, e quem estiver aberto a ela sentirá imediatamente seu impacto, será tocado por ela, levado a uma nova jornada, uma nova peregrinação.
Essa insistência, essa ênfase tem que ser profundamente compreendida, pois, do contrário, você começa a praticar compaixão, mas não será a fragrância verdadeira. 
A compaixão liberta você, lhe dá liberdade, mas só pode vir por meio da meditação – não há outro jeito. Então, se você quer realmente compreender o que é compaixão, tem que entender o que é meditação. Esqueça a compaixão – ela virá sozinha.
A compaixão pode ser um critério para determinar se a meditação foi correta ou não. Se foi correta, a compaixão certamente virá – é natural, segue como uma sombra.
Meditação não é concentração, é relaxamento – a pessoa simplesmente relaxa em si mesma. Quanto mais você relaxa, mais se sente aberto, menos rígido e mais flexível.
Relaxar significa permitir-se entrar num estado em que você não faz nada, pois, se fizer algo, a tensão continuará. É um estado de não fazer. Você simplesmente relaxa e desfruta a sensação de relaxamento. Experimente...
Então, relaxe internamente, feche seus olhos e ouça o que está acontecendo à sua volta. Não é preciso sentir que as coisas são distrações. Não negue nenhum ruído, nenhum barulho, não rejeite nada, aceite – porque, se negar, você ficará tenso. Todas as negações geram tensão. Aceite. Se quiser relaxar o caminho é a aceitação.
Se as pequenas coisas o perturbam, é a sua atitude que o perturba. Fique em silêncio, escute tudo que acontece à sua volta e relaxe – e de repente sentirá uma tremenda energia despertando em você.
Essa energia será sentida, à princípio, como uma respiração mais profunda. Normalmente sua respiração é superficial e, às vezes, se você tenta respirar fundo, começa a fazer esforço.
Esse esforço não é necessário. Basta simplesmente aceitar a vida, relaxar, e logo verá a respiração ficar mais profunda do que nunca. Torna-se lenta, rítmica, e você consegue quase desfrutá-la; isso lhe dá uma profunda alegria. E então você perceberá que a respiração é a ponte entre você e o todo.
Então, apenas observe, não faça nada. Simplesmente relaxe, permaneça relaxado, solto... Pois o que mais pode fazer¿ Você vai respirando fundo...
Simplesmente relaxe e deixe que a respiração seja natural – indo e vindo no seu próprio ritmo -, e muitas coisas se tornarão disponíveis para você.
A respiração é uma ponte. Uma parte está ligada à você, a outra está ligada à existência.
Você pode pensar nela como algo que você absorve, que inala, ou o contrário – ela é que inala você. E esse outro sentido tem que ser compreendido, pois só assim você entrará em relaxamento profundo. Não é você que está respirando, é a existência que respira você. É uma mudança de postura, e acontece naturalmente. Se você relaxa, aceita tudo, relaxa por dentro, pouco a pouco torna-se consciente de que não está respirando – a respiração está vindo sozinha. E graciosamente. Com dignidade. Com ritmo. E que ritmo harmonioso. Quem o produz¿ A existência – é ela que respira você. Entra e sai de você. A cada momento o rejuvenesce, a cada momento o faz cada vez mais vivo.
E, de repente, você vê a respiração como um acontecimento... É assim que a meditação deve crescer.
Quando a meditação se estabelece em você, e você entra no ritmo da existência, a compaixão é uma consequência natural. De repente você se apaixona pelo todo, e o outro não é mais o outro – é Deus.
Mas com toda essa respiração reprimida, a ponte entre você e a existência foi destruída. Você só consegue respirar superficialmente, nunca respira fundo; e, se não consegue mergulhar fundo em si mesmo, não pode se aprofundar na existência.
Uma respiração profunda, relaxada, uma percepção dela, lhe dá tremendo silêncio, relaxamento, e aos poucos você simplesmente se funde, derrete, desaparece.
A compaixão surge apenas quando você percebe que cada pessoa é ligada a você. A compaixão surge apenas quando você enxerga que é membro do mundo todo, e o mundo todo é membro de você. Ninguém é separado. Quando a ilusão da separação cessa, surge a compaixão. Compaixão não é uma disciplina.
Uma pessoa de verdadeiro entendimento simplesmente compreende que não há separação – tudo, inclusive ele mesmo, é Divino. E ele vive essa compreensão.
Compaixão é viver a compreensão. Nunca tente praticá-la, simplesmente relaxe profundamente e entre em meditação.
A meditação é a flor, e a compaixão é sua fragrância.

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