13 de fev de 2013

De montinhos, montanha



De montinhos, montanha.

O ego não se sente bem, não se sente à vontade, com montinhos – ele quer montanhas. Mesmo que seja de amargura, mas não pode ser um montinho, tem que ser uma montanha. Mesmo que seja triste, o ego não quer uma tristeza comum, quer uma tristeza extraordinária.
Tente perceber... As pessoas vivem criando problemas do nada. Todos os problemas são imaginários – você os cria. Porque sem eles você se sente vazio... Não há nada para fazer, nada com que lutar, nenhum lugar para ir.
As pessoas procuram um guru atrás do outro, um psicanalista atrás de outro, porque, se não fizerem isso, se sentem vazias, sentem que a vida não tem sentido.
Você cria problemas para poder sentir que a vida é um crescimento, e que você tem que lutar com afinco. O ego só pode existir quando luta, lembre-se disso – quando faz um grande esforço.
Quanto maior o problema, maior o desafio – e com o desafio o ego ganha as alturas. Assim, você cria os problemas. Eles não existem absolutamente.
Observe porque está criando o problema. Bem no começo, no momento exato em que o problema é criado, está a solução – não o crie, portanto!
Você não tem problema – só precisa compreender isso... Pode, inclusive, abandonar todos os problemas neste exato momento, pois eles são, todos, criações suas.
É a decisão de parar com toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções. Não crie problemas desnecessários para si mesmo. A compreensão virá se você perceber como aumenta os problemas, como os faz crescer, e como ajuda a roda a girar mais rápido. De repente está mergulhado na amargura e precisa da compaixão de todo mundo.
Você está perfeitamente em forma, nasceu perfeito – essa é a mensagem. Nasceu perfeito, a perfeição é sua natureza mais íntima. Você apenas tem que vivê-la.
O ego não pode existir no vazio, precisa de algo contra o que lutar. Até um fantasma de sua imaginação servirá para isso, mas você precisa lutar contra alguém.
O ego é uma tensão. Sempre que há conflito, surge a tensão e o ego existe; quando não há conflito, a tensão desaparece e o ego também. O ego é apenas uma tensão.
E claro que ninguém quer pequenas tensões, todos querem grandes tensões. Se seus problemas não são suficientes, você começa a pensar na humanidade, no mundo, no futuro. Começa a pensar em tudo isso como se o mundo inteiro dependesse de seus conselhos. E pensa... “O que vai acontecer em Israel? O que vai acontecer na África”? E continua aconselhando e criando problemas.
As pessoas ficam excitadas, não conseguem dormir porque há uma guerra em andamento. Ficam muito alvoroçadas. A vida pessoal é tão banal que precisam alcançar o extraordinário a partir de outra fonte. O mundo inteiro corre perigo. Agora você se torna grande graças a seu problema.
O ego precisa de alguns problemas. Se você compreender isso, no ato da compreensão, as montanhas se tornam montinhos de novo, e estes enfim desaparecem. De repente há um vazio, uma vazio puro à sua volta. Isso é que é a iluminação – a profunda compreensão de que não existem problemas.
E então, sem problemas para resolver, o que você faz? Imediatamente começa a viver. Vai comer, dormir, amar, bater papo, cantar, dançar – o que mais há para fazer? Você se torna um Deus, pois começou a viver.
Se existe um Deus, uma coisa é certa: ele não tem problemas. Essa é uma certeza. Então, o que ele faz com todo seu tempo? Não tem problemas, não tem psiquiatras para consultar nem gurus para visitar e a quem se entregar... O que Deus está fazendo? O que vai fazer? Deve estar ficando louco? Rodopiando? Não, ele está vivendo; sua vida está repleta de vida. Ele está comendo, dormindo, dançando, tendo um caso de amor – mas sem nenhum problema.
Comece a viver esse momento e você verá que, quanto mais viver, menos problemas existirão. Porque, agora que seu vazio está florescendo e vivendo, não há necessidade deles. Quando você não vive, a mesma energia apodrece. A mesma energia que se tornaria uma flor fica estagnada – ela se torna um espinho no coração. É a mesma energia.
Se as pessoas conseguirem dançar um pouco mais, cantar um pouco mais, ser um pouco mais loucas, sua energia começará a fluir mais, e seus problemas aos poucos desaparecerão.
Então, viva, dance, coma, durma, faça as coisas de maneira mais plena possível. E lembre-se sempre: quando se vir criando um problema, saia dele imediatamente. Faça alguma coisa logo para que a energia que estava criando o problema se torna fluida, descongelada, derreta e retorne ao cosmos.
O dia todo você pensa. O pensamento simplesmente mostra que você tem mais energia do que usa para viver, tem mais energia do que sua suposta vida necessita.
Se você vive o ego desaparece. A vida não conhece o ego, só conhece o viver, o viver e o viver. A vida não conhece o eu, o centro; a vida não conhece a separação. Você respira e a vida entra em você, você expira e entra na vida. Não há separação. Você come e as árvores entram em você por meio das frutas. Um dia você morre, é enterrado, as árvores o sugam e você se torna as frutas. Seus filhos o comerão. Você tem comido seus ancestrais – as árvores o converteram em frutas. Você acha que é vegetariano? Não se engane pelas aparências. Somos todos canibais.
A vida é uma e se move sempre. Ela entra em você, passa através de você. Na verdade, dizer que ela passa através de você não é correto, porque isso significaria que ela entra e sai. Você não existe – só existe essa vida, indo e vindo. Você não existe – só a vida existe em suas formas tremendas, em sua energia, em seus milhões de deleites. Quando compreender isso, permita que essa compreensão seja a única lei.
E comece a viver como um Buda agora mesmo. A decisão é sua, mas, da forma que vejo, é apenas uma decisão: “Não vou mais me enganar. Agora começo a viver como um Buda, no vazio. Não tentarei encontrar ocupações desnecessárias. Dissolvo-me”.

Um comentário:

  1. Nossa, que texto!
    Cada palavra, espaço, frase, parágrafo são absurdamente tocantes.
    Profundo. Assustador. dilacerante. Assombroso. Constrói e desconstrói; eleva e desmonta. Liberta, prende, surpreende, sufoca!
    Várias vezes durante a leitura percebi que estava com a respiração presa, sem ar!
    Serei a mesma depois dessa leitura? "Não sei se me edifico ou desconstruo"...não sei.
    Só sei que é um texto ao qual ninguém fica imune ou impune(?) que precisa e deve ser divulgado.
    Uau! Bravo!

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