12 de jan de 2013

Dhammapada / Capítulo 1 / Dicotomias


Verso 1
Toda experiência é precedida pela mente,
Conduzida pela mente,
Feita pela mente.
Fala ou age com mente corrompida,
E o sofrimento virá
Como a roda do carro segue a pegada do boi.

Verso 2
Toda experiência é precedida pela mente,
Conduzida pela mente,
Feita pela mente.
Fala ou age com mente serena,
E a felicidade virá
Como uma sombra imóvel.

Verso 3

"Ele me ofendeu, ele me atacou,
Ele me venceu, ele me roubou!"
Para quem se comporta desse modo,
O ódio nunca cessa.

Verso 4

"Ele me ofendeu, ele me atacou,
Ele me venceu, ele me roubou!"
Para quem não se comporta desse modo,
O ódio cessa.

Verso 5
O ódio nunca cessa pelo ódio.
Só pelo não ódio ele cessa.
Eis uma verdade antiga.

Verso 6
Muitos não percebem que
Teremos de morrer.
Para quem o percebe,
A querela cessa.

Verso 7
Quem vive
Apegado ao prazer,
Sem vigiar os sentidos,
Imoderado no comer,
Ocioso e descuidado,
Será vencido por Mara,
Como a árvore frágil curvada pelo vento.

Verso 8
Quem vive
Apegado às coisas não prazerosas,
Vigiando os sentidos,
Moderado no comer,
Diligente e atento,
Não será vencido por Mara,
Como a montanha rochosa que o vento não desloca.

Verso 9
O homem corrompido,
Sem autocontrole nem verdade,
Ainda que vista o manto cor de açafrão,
Do manto cor de açafrão é indigno.

Verso 10
O homem que purgou a corrupção,
É autocontrolado, veraz
E firme na virtude,
Esse é digno do manto cor de açafrão.

Verso 11
Aqueles que consideram o supérfluo essencial
E o essencial supérfluo
Não alcançam o essencial,
Vivendo na esfera da intenção errônea.

Verso 12
Aqueles que consideram o essencial essencial
E o supérfluo supérfluo
Alcançam o essencial,
Vivendo na esfera da intenção reta.

Verso 13
Assim como a chuva penetra
Na casa mal coberta,
A luxúria penetra
Na mente inculta.

Verso 14
Assim como a chuva não penetra
Na casa bem coberta,
A luxúria não penetra
Na mente cultivada.

Verso 15
Quem faz o mal sofre nesta vida,
Sofre na próxima,
Sofre nos dois mundos.
A visão das próprias más ações traz dor e aflição.

Verso 16
Quem pratica atos meritórios rejubila-se nesta vida,
Rejubila-se na próxima,
Rejubila-se nos dois mundos.
A visão das próprias ações puras traz alegria e deleite.

Verso 17
Quem pratica o mal é atormentado nesta vida,
É atormentado na próxima,
É atormentado nos dois mundos.
Aqui é atormentado, dizendo-se: "Agi mal".
Renascendo em esferas de sofrimento, atormenta-se ainda mais.

Verso 18
Quem pratica ações meritórias deleita-se nesta vida,
Deleita-se na próxima,
Deleita-se nos dois mundos.
Aqui se deleita, dizendo-se: "Agi bem".
Renascendo em esferas de bênçãos, deleita-se ainda mais.

Verso 19
Aquele que recita muitos ensinamentos,
Mas, negligente, não os põe em prática,
Como o pastor contando as vacas de outrem,
Não obtém os benefícios da vida contemplativa.

Verso 20
Aquele que recita poucos ensinamentos,
Mas vive de comum acordo com o Dharma,
Renunciando à paixão, à má vontade, à ilusão,
Alerta e de mente livre,
Sem apegos nesta ou na próxima vida,
Obtém os benefícios da vida contemplativa.

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