27 de nov de 2012

Não escolha, mantenha-se no meio


Meditação 17
Não escolha, mantenha-se no meio

Esquecendo a mente, mantenha-se no meio – até.

Essas poucas palavras podem transformar sua vida totalmente. Esquecendo a mente, mantenha-se no meio.
Mantenha-se no meio. Buda desenvolveu toda a sua técnica de meditação a partir desse sutra. Seu caminho é conhecido como caminho do meio. Buda diz: “permaneça sempre no meio – em todas as coisas”.
A mente pode facilmente mover-se de um extremo a outro. Esse é o jeito da mente – exatamente como um pêndulo, de um extremo ao outro.
Assim, um homem que viveu apenas para o sexo, pode se tornar um celibatário, pode se mover para o isolamento, mas a loucura permanecerá.
Perceba... Todas as coisas têm dois extremos; permaneça exatamente no meio.
Mas a mente sempre continuará escolhendo os extremos.
O extremo é uma fascinação para a mente. Por quê? Porque no meio, a mente morre. Olhe para um pêndulo: O pêndulo pode continuar se movendo o dia todo, se ele vai aos extremos. Quando ele vai para a esquerda ele está acumulando impulso para ir à direita. Quando ele vai para a direita, não pense que ele está indo para a direita – ele está acumulando impulso para ir à esquerda. Assim, os extremos são direita/esquerda, direita/esquerda.
Deixe o pêndulo estar no meio, então todo o impulso é perdido. Então, o pêndulo não tem energia, porque a energia vem de um dos extremos. Então, esse extremo o joga em direção ao outro e, depois novamente; Deixe o pêndulo estar no meio e todo o movimento, então, cessará.
A mente é exatamente como um pêndulo, e o dia inteiro. Se você observar, você verá. Você decide uma coisa em um extremo e, então, você se move para o outro. Você está com raiva; então você se arrepende.
Perceba... A mente se move da raiva para o arrependimento, do arrependimento para a raiva. Permaneça no meio. Não fique com raiva e não se arrependa. Permaneça no meio. Se você puder permanecer, você não estará acumulando impulso, a energia para ficar com raiva novamente.
Maridos e esposas continuam brigando por séculos e séculos. Freud, pela primeira vez, tornou-se consciente do fenômeno de que, sempre que você está amando – o assim chamado amor -, você também está odiando. Pela manhã é amor, à noite é ódio; e o pêndulo continua se movendo. Todos os maridos e esposas sabem disso.
A mente tem sempre que se mover para o oposto. Assim, quando você está brigando com sua esposa e vice-versa, não evite isso; caso contrário, o amor também será evitado. Quando o momento de luta está presente, lute até o fim. Então, à noite, você será capaz de amar: a mente terá juntado impulso.
O amor comum não pode existir sem luta, porque há um movimento da mente. Somente o amor que não é da mente pode existir sem luta, mas, então, é uma coisa totalmente diferente.
Um Buda amando... Isso é uma coisa totalmente diferente. Mas se Buda chegar para amá-lo, você não se sentirá bem, porque não haverá falhas nesse amor; ele será simplesmente doce e doce e doce... – e chato, porque o tempero vem da luta. Um Buda não pode ficar com raiva, ele pode somente amar. Você não sentirá seu amor, porque você só pode sentir os opostos, você pode senti-lo somente por contraste.
É difícil senti-lo, porque ele é muito silencioso. Ele é tão silencioso como se fosse ausente. Quando a mente cessa, então, um amor diferente acontece. Mas esse amor não tem nenhum oposto a ele. Com a mente, há sempre uma polaridade oposta e a mente se move como um pêndulo.
Este sutra é maravilhoso e milagres são possíveis através dele: Esquecendo a mente, mantenha-se no meio – até.
E o que se quer dizer com até? Até você explodir! Permaneça no meio até a mente morrer. Mantenha-se no meio até que não haja mente alguma. Se a mente estiver nos extremos, então, o meio será a não mente.
Assim, tente isso. E esse sutra é para toda a sua vida. Você não pode praticá-lo algumas vezes, você tem de estar consciente continuamente. Agindo, caminhando, comendo, no relacionamento, em qualquer lugar – permaneça no meio. Tente pelo menos e você sentirá uma certa calma crescendo dentro de você.
Até mesmo se você não conseguir sucesso em estar exatamente no meio, tente estar no meio. Em pouco tempo você sentirá o que esse meio significa.
Qualquer que seja o caso – ódio ou amor; raiva ou arrependimento – sempre se lembre das polaridades opostas e permaneça no meio. E, mais cedo ou mais tarde, você irá se deparar com o exato ponto do meio.
Uma vez que você o conheça, você nunca poderá esquecer novamente, porque esse ponto do meio está além da mente; o ponto do meio é tudo o que a espiritualidade significa.

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