11 de out de 2012

Superando os enganos da mente


Como é possível que, simplesmente por tornar-se consciente de um ponto específico no processo de respiração, alguém possa alcançar o despertar?
Como é possível tornar-se livre do inconsciente, simplesmente por se estar atento a um pequeno e momentâneo intervalo na respiração?

Pensa-se que a espiritualidade é uma conquista difícil, mas ela não é nem difícil nem uma conquista.
O que quer que você seja você já é espiritual. Nada novo é para ser adicionado a seu ser e nada é para ser descartado de seu ser; você é tão perfeito quanto possível.
Não se trata de uma jornada para algum outro ponto em algum lugar além; você não está indo a nenhum outro lugar. Você já está lá. Aquilo que é para ser alcançado já está alcançado.
Aqui e agora, neste exato momento, você já é aquilo que é conhecido como divino. É por isso que técnicas simples podem ajudar. Ele não é algo a ser alcançado, mas uma descoberta. Ele está escondido; e ele está escondido em coisas muito simples, muito pequenas.
Seu corpo está aqui, escondido nas roupas; da mesma maneira, sua espiritualidade está aqui, escondida em certas roupas – essas roupas são sua personalidade.
Você pode ficar nu exatamente aqui e agora e, da mesma maneira, você pode ficar nu em sua espiritualidade também. Mas você não sabe o que são as roupas. Você não sabe como você está escondido nelas; não sabe como ficar nu.
Você tem ficado nas roupas por muito tempo – por vidas e vidas, você tem estado dentro das roupas – e você tem estado tão identificado com as roupas, que, agora, você não pensa que são roupas. Você pensa que essas roupas sejam você. Essa é a única barreira.
A espiritualidade é um tesouro escondido. Nada é para ser alcançado em algum lugar no futuro. Você ainda não o reconheceu, mas ele já está aí em você. Você é o tesouro, mas você continua mendigando.
Assim, técnicas simples podem ajudar. Remova um pouquinho da terra – isso não é um grande esforço. Seu corpo é parte da terra e você se tornou identificado com seu corpo. Então, remova essa terra um pouquinho, crie um buraco vela e você chegará a conhecer o tesouro.
Nós já somos aquilo que nós seremos, aquilo que nós devemos ser, aquilo que estamos destinados a ser. O futuro já está escondido no presente; toda a possibilidade está aqui em semente. Se você pode entender isso, que a espiritualidade já está presente, então, não existe problema em relação a como um esforço tão pequeno possa ajudar.
Na verdade, nenhum grande esforço é necessário. Somente pequenos esforços são necessários e quanto menores, melhor!
É por isso que acontece, muitas vezes acontece, que quanto mais você tenta, mas difícil é de se alcançar. Seu verdadeiro esforço, sua tensão, sua ocupação, seu desejo, sua expectativa se tornam a barreira.
Perceba... Quando você inspira, você nunca sente a respiração. Você nunca sentiu a respiração. E você, imediatamente, negará isso. Você dirá: “Isso não está certo. Nós podemos não estar conscientes continuamente, mas nós sentimos a respiração”. Não, você não sente a respiração, você sente a passagem.
Olhe para o mar. As ondas estão lá; você vê as ondas. Mas aquelas ondas são criadas pelo ar, pelo vento. Você não vê o vento, você vê o efeito na água. Quando você inspira, o ar toca as suas narinas. Você sente as narinas, mas você nunca está ciente da respiração. Ela vai para baixo – você sente a passagem. Ela volta – novamente você sente a passagem. Você nunca sente a respiração, você apenas sente o toque e a passagem.
Não é esse o significado quando Shiva diz: esteja consciente. Primeiro você estará consciente da passagem e quando você se tornar completamente da passagem, somente então, você começará, em pouco tempo, a estar consciente da própria respiração. E quando você se tornar consciente da respiração, então, você será capaz de estar consciente do intervalo, da lacuna.
E isso não é tão fácil quanto parece.
Para o tantra, para todos os sistemas de busca, existem camadas de consciência. Se eu o abraço, primeiro você irá se tornar consciente de meu toque em seu corpo; não de meu amor: meu amor não é tão grosseiro. E, normalmente, nós nunca nos tornamos conscientes do amor. Nós somos conscientes apenas do corpo em movimento.
Por isso, levará anos para se tornar tão sensível a ponto de não o toque, mas o movimento da respiração ser conhecido. Então, diz o tantra, você terá conhecido o prana – a vitalidade. E, somente então, existe o intervalo onde a respiração pára, onde a respiração não está se movendo – ou o centro onde a respiração está tocando; ou o ponto de fusão; ou a volta onde a respiração, a inspiração, se torna expiração. Isso será árduo; então não será tão simples.
Se você fizer alguma coisa, se você entrar nesse centro, somente então, você saberá o quanto é difícil. Buda levou seis anos para chegar a esse centro além da respiração. Para chegar a esse ponto, ele teve uma longa e árdua jornada de seis anos; então, aconteceu.
A mente cria barreiras. Ela diz: “Uma coisa tão simples? Não seja bobo. Como você pode se tornar um Buda através de uma coisa tão simples? Isso não vai acontecer”.
E, então, você não irá fazer nada, porque... Como isso pode acontecer? A mente é astuta. Se eu digo que isso é muito difícil, a mente diz: “Isso é tão difícil que está além de você”. Se eu digo que isso é muito simples, a mente diz: “É tão simples que somente os bobos podem acreditar nisso”.
Na realidade, não há nenhum problema. Nunca houve, nunca haverá. Na mente, há problemas e você olha para a realidade através da mente; assim, a realidade se torna problemática.

Tudo é simples – a realidade é simples. Ela parece complexa somente por causa de sua ignorância; caso contrário tudo é simples. Uma vez que você a conheça, ela se torna simples.
Conhecê-la, fatalmente será difícil não por causa da realidade, lembre-se, mas por causa de sua mente. Esta técnica é simples, mas ela não irá ser tão simples para você. Sua mente criará dificuldades. Assim, tente.

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