16 de set de 2012

Rinzai, o mestre do irracional

Mestre Rinzai

Procure relaxar seus olhos, relaxe seu corpo.
O caminho agora e pra dentro...
Você vive na circunferência e uma vez que experimenta estar no centro, você repentinamente vê o mundo todo se transformando.
Seus olhos já não são os mesmos; sua clareza e transparência são absolutas. Você vê as mesmas folhas verdes mais verdes, a mesma vida como um festival, como uma cerimônia.
Quando sua consciência se torna mais profunda, quando se torna uma coisa fácil ir para o centro, como entrar em sua casa e sair dela, você se tornou um Buda (um ser desperto)
Então, bem lentamente, seu centro começa a mudar sua circunferência.
Primeiro você não consegue ser violento; então você não consegue ser destrutivo; então você é amor. Não que você ame – você é amor. Então você é silêncio, então você é verdade, tudo o que é velho em você desapareceu. Aquela era sua circunferência e agora passou. Agora, só o centro permanece.

E o mestre diz...
“Se nessa jornada você encontrar um Buda, livre-se dele; se encontrar seus pais livre-se deles e se encontrar seus parentes, livre-se deles”.

Então, o que significa isso?
“Se você encontrar um Buda, livre-se dele...” É um processo de meditação. Quando você vai mais fundo dentro de si mesmo, fatalmente encontra figuras muito queridas. Se você amou Buda (se amou Cristo) vai encontrar Buda ou Cristo antes de se encontrar.
Será apenas uma imagem, mas na quietude do coração essa imagem será tão radiante que existe a possibilidade de que você cabe se sentando à margem do caminho com essa imagem e se esqueça de que este não é o objetivo.
Trata-se apenas de um processo psicológico interior, que deixa você livre do mestre, livre dos pais, livre dos amigos.
Ele não tem nada a ver com o mundo exterior, é o seu mundo interior onde as imagens se reúnem. E, a menos que essas imagens sejam dissolvidas, você não vai conseguir ver a si mesmo. Elas estão impedindo a sua percepção.

     E o mestre prossegue:
“Se você não estiver preso por exterioridades, você estará desimpedido e independente”.
Agora você destruiu todas as imagens, destruiu seus sonhos, seus casos de amor. Você deixou o caminho livre, mas ainda pode estar preso às coisas exteriores.
Você pode estar pronto para destruir a imagem de seus pais e de se ver livre dela, mas e quanto ao desejo pelo poder no mundo, e quanto ao desejo de ser o homem mais rico do mundo? Mil e um desejos cercam você no mundo exterior.
Mas é muito fácil compreender mal um mestre do que outra pessoa qualquer, pois o mestre está falando uma nova linguagem, atribuindo novos significados às palavras, falando sobre espaço em que nunca se esteve.
Você tem de conhecer a fonte da vida – a fonte de onde você brotou, exatamente como as rosas brotam. É simplesmente uma questão de exploração intensa internamente para encontrar as suas origens. E você ficará surpreso: suas origens são as origens de toda existência.
E nesse estado, você tem todo o universo em suas mãos. Não há mais o desejo. Você já é tudo que poderia ter sonhado, desejado, pedido para ser.
Um grande contentamento o envolve. E nesse contentamento estão todas as qualidades da beatitude, do êxtase, de tudo aquilo que é uma dança contínua, uma festividade.

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