27 de out de 2010

A arte do coração



A maioria das pessoas está obcecada pela mente.
Nossa civilização tem uma fixação pela mente porque ela foi responsável por todos os avanços tecnológicos, e para nós isso resume tudo.
O que o coração pode dar?
Com certeza, nada high-tech, nada industrial ou capaz de gerar dinheiro.
Mas pode nos proporcionar alegria, celebração e também uma enorme sensibilidade para a beleza, a música e a poesia.
Além disso, é capaz de guiá-lo no mundo do amor e da oração, mas essas coisas não dão dinheiro.
Você não pode aumentar a sua conta bancária usando apenas o coração, nem lutar em grandes guerras, assim como não pode produzir bombas atômicas nem destruir as pessoas pelo coração.
O coração sabe criar, enquanto a mente é destrutiva e, infelizmente, nossa educação ficou presa à mente.
A menos que a raça humana atinja um equilíbrio entre o coração e a mente, continuaremos sofrendo.
À medida que nos tornamos mais centrados na mente e, por outro lado, cada vez mais alheios ao coração, nosso sofrimento tende a aumentar.
Somos responsáveis por criar um inferno na Terra e só pioramos essa situação.
O paraíso pertence ao coração.
Ainda assim, ninguém entende mais essa linguagem.
O coração foi completamente esquecido.
Somos capazes de compreender a lógica, não o amor.
Compreendemos a matemática, não a música.
Nós nos tornamos cada vez mais acostumados às coisas mundanas e ninguém parece ter coragem de trilhar os percursos do desconhecido, os labirintos do amor e do coração.
Entramos em sintonia com o mundo da prosa, e a poesia acabou se tornando insignificante.
O poeta morreu.
De um lado está o cientista – pronto para destruir toda a vida na terra.
Do outro lado, não muito distante, estão místicos como Buda, Jesus, Zaratrusta e Kabir.
Eles não têm poder algum, ao menos não no sentido que compreendemos o poder, mas são extremamente poderosos de uma forma totalmente diferente.
Infelizmente, nada mais abemos a respeito dessa linguagem.
Tudo que há de criativo no homem está sendo reduzido à produção cada vez maior de “coisas”.
A criatividade está perdendo seu apelo, e a produtividade se transforma no principal objetivo da vida.
Em vez de criatividade, valorizamos a produtividade: discutimos como produzir mais, mas esquecemos que isso nos proporciona apenas coisas, não valores.
As pessoas podem se tornar ricas exteriormente, mas continuam pobres, mendigas internamente.
A produção se preocupa apenas com a quantidade, enquanto a criação se preocupa com a qualidade.
Perceba que a produção não exige capacidade de criação, ela é medíocre: qualquer imbecil pode se dedicar a ela, basta aprender alguns truques básicos.
Quando falo em criatividade, estou me referindo  algo totalmente diferente.
Olhe o Taj Mahal ou outros Templos Indianos. Observe-os em uma noite de lua cheia e uma grande meditação surgirá dentro de você.
As grandes catedrais católicas representam a terra buscando alcançar o céu.
Basta observá-las e uma canção surgirá em seu coração, ou um grande silêncio o cercará.
Todos eles são milagres da criatividade.
O ser humano perdeu seu lado poético, seu impulso criativo.
Nós estamos demasiadamente interessados em produtos, em novidades eletrônicas, em produzir cada vez mais coisas.
É fundamental trazer de volta o coração e o amor à natureza.
Precisamos prestar mais atenção às rosas, às flores de lótus, às árvores, às rochas e aos rios.
Precisamos recomeçar a dialogar com as estrelas...

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