27 de out de 2010

Andando no fio da navalha



O ser humano é infinitamente capaz de se ajustar, e cada criança aprende a se ajustar a todas as espécies de coisas.
Basta olhar no seu próprio ser, a quantas superstições você foi capaz de se ajustar, quantas crenças estúpidas você está carregando.
E há momentos em que você se torna ciente dessa estupidez, mas esses momentos sadios você os põe de lado, porque eles são momentos perigosos.
De vez em quando a janela se abre, mas você as fecha rapidamente, pois surge o medo e você não quer mostrar sua sanidade a ninguém.
Somente de vez em quando surge uma pessoa sadia – um Buda, um Zarathustra, um Jesus.
E a coisa estranha é que essas pessoas sadias parecem loucas e os realmente loucos são os supostos sadios.
Em uma passagem Jesus disse: “A menos que você seja como uma criança, você não entrará no reino de Deus”.
O que ele está querendo dizer é que a menos que você se torne novamente sadio, sadio como toda criança é – inocente, autêntica, sem medo - você não entrará no reino de Deus.
Seja qual for a sociedade à qual você pertença, você já foi distorcido.
Você não é mais inocente, você já foi corrompido e envenenado – pelos sacerdotes, pelos políticos e pelos educadores.
O próprio medo faz parte da loucura, caso contrário, não há nada a temer.
A vida é um fluxo e você não pode manter nada extático.
Então, qual é o sentido de se ter medo de algo?
A pessoa deve apenas viver momento a momento, desfrutando seja o que estiver disponível.
O medo não lhe permite viver totalmente: ele sempre refreia.
Ele jamais permite a intensidade, a paixão, a totalidade, a inteireza – ele o mantém dividido.
Você ama uma pessoa e o seu amor é sem entusiasmo, porque você tem medo.
Quem sabe onde o amor vai parar... Aonde ele o conduzirá?
Você é sempre parcial e fragmentário, nada lhe dá a alegria que lhe poderia dar.
Mas o medo não vai adiantar.
O medo pode conduzi-lo cada vez mais e mais à loucura.
Ao invés de ficar com medo, torne-se sereno, calmo.
Abandone o estado de ebulição e torne-se um observador.
Uma vez que você aceite o fato de que a sociedade já o contaminou e o tornou insano, agora o trabalho a se fazer é o de como sair deste estado antinatural que a sociedade forçou em cima de você.
Observe... “O rapaz tem que ser forte, sarado, cabelo curtinho para se ajustar a sociedade, a mulher tem que usar silicone, tem que usar uma meia branca até o joelho na academia, do contrário ela não será aceita.”
“E assim, vamos deixando de ser nós mesmos para satisfazer a sociedade, vamos usando máscaras e fingindo que somos sadios.”
O mundo está virando um grande hospício.
E uma vez que você compreenda o mecanismo da loucura...
Por exemplo: a ambição é a raiz de tudo.
Tente compreender sua ambição – seu esforço para ser alguém no mundo... Para ser aceito...
E perceba que isso está te levando à loucura.
Seja um ninguém, e então, não há nenhum problema.
Abandone a ambição e comece a viver, porque a pessoa ambiciosa não pode viver: ela adia sempre.
Sua vida está sempre no amanhã – e o amanhã nunca vem.
A pessoa ambiciosa fatalmente será agressiva e violenta, e a pessoa violenta e agressiva fatalmente será louca.
A pessoa não-ambiciosa é pacífica, amorosa, compassiva.
A pessoa ambiciosa está sempre com pressa, correndo, indo em direção a algo que ela sente vagamente que está lá adiante, mas que ela nunca encontrará.
É como o horizonte: ele não existe, somente aparenta existir.
A pessoa não-ambiciosa vive aqui e agora, e ficar aqui e agora é ser são.
Estar totalmente neste momento é ser são. Sanidade significa um estado de paz, harmonia, alegria, bem-aventurança e bênção.

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